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61% das empresas de capital aberto no Brasil não têm mulheres entre seus diretores

(Unsplash)

SÃO PAULO — No Brasil, das 408 empresas listadas na B3, 61% não têm uma única mulher entre seus diretores estatutários e 45% não têm participação feminina no Conselho de Administração, de acordo com os dados mapeados pela Bolsa brasileira em junho deste ano, a partir das informações públicas prestadas pelas próprias companhias em documentos regulatórios.

Ao considerar as companhias que registram apenas uma mulher em algumas das enjoyableções citadas, o percentual atinge 25% nos cargos de diretoria e 32% em Conselhos de Administração.

Do outro lado, somente 6% das companhias registram a presença de três ou mais mulheres na diretoria e esse é o mesmo percentual quando analisamos os Conselhos de Administração — o estudo não revela as empresas em cada categoria.

Se considerarmos um recorte específico de segmento da B3, o do Novo Mercado, o qual tem um padrão de governança corporativa mais rígido, entre as 190 empresas listadas 89% têm apenas uma ou nenhuma mulher entre seus diretores.

No Conselho de Administração, 75% das companhias dessa categoria possuem apenas uma ou não possuem mulheres. A quantidade de companhias com três ou mais mulheres no conselho não passa de 7% entre as listadas.

A focus onão e a exposição dos dados ganham força diante das práticas ESG (ações sociais, de governança, e de meio ambiente), que vêm ganhando força no mercado financeiro com o objetivo de aumentar a diversidade, trazer mais equidade em diversos aspectos, incluindo o de gênero.

Os Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil do IBGE apontam que as mulheres representam mais da metade da população brasileira, e apesar de, em média, terem níveis maiores de educação, elas têm menos representação em cargos gerenciais (37,4%) e, recebem cerca de 77% do salário médio dos homens.

“Acredito que o retrato obtido com esse levantamento nos mostra que, mesmo com uma preocupação crescente dos investidores e empresas, ainda temos um imenso trabalho a ser feito para avançar na pauta de diversidade e inclusão. Isso exige foco, estratégia e comprometimento de todos nós”, afirma Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

Mas o caminho ainda é longo: desde 2010 há iniciativas legislativas tentam aumentar a diversidade de gênero nos CAs de empresas públicas, por exemplo e os resultados ainda não são tão promissores quanto poderiam ser.

“Temos convicção de que os dados retratados neste levantamento estão distantes do que almejamos para nosso mercado […] Mas é perceptível o aumento da relevância deste tema, com as empresas sendo cada vez mais cobradas por colaboradores, consumidores, investidores, clientes e parceiros para que representem valores que eles defendem e espelhem a diversidade da nossa população”, diz a B3 no estudo.

Neste ano, a atualização do IG-Sest (o indicador de governança das estatais) da B3 incluiu perguntas inéditas sobre o tema com o objetivo de fomentar a focus onão.

Nos EUA, SEC (Securities and Exchange Commission), órgão regulador equivalente à CVM No Brasil, aprovou uma regra de conselhos diversos na bolsa de tecnologia Nasdaq. Na prática, a regra prevê que as empresas listadas tenham conselho com, no mínimo, duas lideranças consideradas diversas.

Como regra geral, uma deve ser mulher e a outra pertencer a outras minorias da sociedade, como negros e a comunidade LGBTQI+. Se as empresas não se adaptarem à regra precisam apresentar uma justificativa, que ficará disponível ao público.

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