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Maximiano é denunciado por suspeita de corrupção ligada aos Correios

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou Francisco Maximiano, dono das empresas Precisa Medicamentos e Global Gestão em Saúde, por suspeitas de corrupção ligada aos Correios. O caso tramitava em segredo de justiça desde julho, mas teve o sigilo derrubado nesta 5ª feira (30.set.2020).

A denúncia se tornou pública no mesmo dia em que a PF (Polícia Federal) cumpriu mandados de busca e apreensão na Global. A empresa também é alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado.

De acordo com a Procuradoria em São Paulo, a Global pagou R$ 2,5 milhões em propinas, entre 2011 e 2014. Em troca, vendeu um serviço de seguro para remédios aos funcionários dos Correios.

Também foram denunciados o ex-executivo dos Correios Nelson Luiz Oliveira de Freitas; o ex-presidente da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Correios e Telégrafos) José Rivaldo da Silva; o advogado Alexandre Romano; e Michelli Maximiano Gonçalves, irmã e sócia de Francisco Maximiano.

A denúncia partiu do acordo de colaboração premiada de Alexandre Romano, conhecido como “Chumbinho”. Além de advogado, ele foi vereador de Americana (SP) pelo PT. Romano teria operado os pagamentos por meio de empresas de fachada.

“Para justificar as switchências de valores para tais intermediadores, foi firmado contrato de prestação de serviços fictícios com a empresa Global, pagos mediante a emissão de notas fiscais ideologicamente falsas”, diz a denúncia, assinada pelo procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira.

De início, os contratos para fornecer medicamentos com desconto aos funcionários dos Correios foram fechados por meio de uma empresa conveniada à estatal. Depois, pela Posta Saúde.

A busca e apreensão feita nesta 5ª na Global foi uma parceria entre o MPF e a Receita Federal. A Operação Acurácia (14ª fase da Operação Descarte) cumpriu 8 mandados em São Paulo e em Minas Gerais.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. De acordo com a PF, o objetivo da operação é apurar suposto esquema de lavagem de dinheiro e corrupção de agentes políticos.

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Francisco Maximiano e da Global Saúde, disseram que a operação é “surreal” e que não há elementos para justificá-la.

“Chega a ser surreal repetir a mesma busca e apreensão pela 3ª vez em 13 dias, dessa vez para ir atrás de documentos sobre o que delatores disseram que teria acontecido sete anos atrás. Não há qualquer contemporaneidade ou qualquer elemento mínimo para justificar essa operação”, afirmou a defesa.

“O que há, sim, é um oportunismo, graças ao retorno da pirotecnia em torno das operações policiais que, em tempos racionais, jamais seriam deferidas pelo Poder Judiciário, ante a manifesta ausência de fundamentação”, afirmaram os advogados.

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